sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A TEORIA DO MEDALHÃO

Por: Francisco Heraldo B. Felipe

Ao termino do jantar de aniversário de seu filho que completa 21 anos e atinge a maioridade, o pai começa uma conversa falando que na vida uns são conhecidos (e reconhecidos), ficando a maioria como anônimos. Nesta conversa o pai fala ao filho que vai lhe ensinar uma profissão para recompensar o esforço durante a vida, caso as outras profissões não dessem certo.
Durante a conversa o pai explica ao filho o ofício de medalhão, e o aconselha, a moderar os impulsos, para que aos quarenta e cinco anos, a idade em que o pai diz que o medalhão se manifesta (alguns com mais e outros com menos), nele se manifeste também.    O pai diz que na carreira de medalhão, deve se abster de ter idéias, não tendo idéias próprias, e que com a chegada idade pode acontecer delas começarem a surgir, mas que ele pode evita-las jogando bilhar, lendo retóricas, realizando passeios na rua, desde que seja acompanhado para que a solidão não dê margem a idéias e diz ainda que o medalhão pode ir também a uma livraria, para contar uma piada, um caso, um assassinato, mas não para realizar uma leitura, caso a pessoa realize essas tarefas pode em até dois anos reduzir bastante o intelecto.
O pai segue dizendo ao filho que ele evite enfeitar sua fala e escrita, mas que sempre use frases feitas para evitar problemas. O filho revela ao pai que não gosta de processos modernos, o pai por sua vez responde que acha louvável que se fale sobre a modernidade, mas que condena quem a aplica.
É revelado pelo pai que caso o medalhão escreva um tratado cientifico que este o divulgue em um jantar convidando a impressa e pessoas influentes para que a noticia se espalhe, pois a conseqüência disso é que com o tempo tornar-se conhecido e passar ele então a ser chamado para festas e virá a ser uma figura indispensável nelas.
O filho, indaga ao pai, se não deve ter nenhuma imaginação ou filosofia, o pai por sua vez responde que não, mas que deve se saber falar sobre "filosofia da história", mas não sabê-la, devendo-se fugir a tudo que leve à reflexão.
Vendo que já é meia noite, o pai pede ao filho para que vá dormir e pense bem no que foi conversado.



O ALIENISTA

Por: Francisco Heraldo B. Felipe

Simão Bacamarte é um medico que decide se aprofundar no campo da psiquiatria e iniciar um estudo sobre a loucura e seus graus, para isso funda na cidade de Itaguaí um hospício, a Casa Verde como era conhecida por todos, no qual passa a internar todas as pessoas da cidade que ele julgue loucas: o vaidoso, o bajulador, a supersticiosa, a indecisa etc; no inicio todos da cidade aplaudiam o Alienista, mas com o passar dos dias essa admiração tornou-se medo, pois em pouco tempo mais da metade dos habitantes da cidade estavam em tratamento na Casa Verde, incluindo a esposa do Alienista, Dona Evaristada, que indecisa entre ir a uma festa com um colar de granada ou o de safira foi considerada por ele como enferma e não escapou.
Os exageros de Simão Bacamarte ocasionaram um motim popular, a rebelião das canjicas, liderados pelo ambicioso barbeiro Porfírio, que acaba vitorioso, mas que em seguida compreende a necessidade da Casa Verde e alia-se a Simão Bacamarte, no entanto, uma intervenção militar põe fim a revolta e devolve o comando da cidade a suas antigas autoridades.
Após este acontecimento, Simão Bacamarte chega á conclusão de que quatro quintos da população internada eram casos a serem repensados, e inverte o critério de reclusão psiquiátrico e recolhendo a minoria eu até então era considerada sã: os simples, os leais, os desprendidos e os sinceros, iniciando–se um novo período de medo entre a população de Itaguaí. Com o desenrolar deste novo conceito de pesquisa sobre a loucura, o Alienista começou a internar novamente aquelas pessoas que já haviam sido internadadas antes, por elas simplesmente agirem de forma consciente, como veio a acontecer com o barbeiro Porfírio, que ainda guardando ás marcas da primeira internação e do motivo pelo qual ela veio a acontecer, recusou-se a realizar novo levante contra Simão Bacamarte.
Por fim, o Alienista começa a desconfiar que ele não havia curado ninguém, que os pacientes só haviam revelado um desequilíbrio que já possuíam anteriormente, e continuando sua analise percebeu que ele próprio era o único lúcido e por isso deu alta a todos os moradores da casa verde e internou-se no casarão, tornando-se médico e paciente, veio a morrer depois de alguns meses.

ANEDOTA DO CABRIOLET

Por: Cristiana Angelica

Cabriolet está aí, sim, senhor, dizia o preto que viera à matriz de S. José chamar o vigário para sacramentar dois moribundos.

A geração de hoje não viu a entrada e a saída do cabriolet no Rio de Janeiro. Também não saberá do tempo em que o cab e o tilbury vieram para o rol dos nossos veículos de praça ou particulares. O cab durou pouco. O tilbury, anterior aos dois, promete ir à destruição da cidade. Quando esta acabar e entrarem os cavadores de ruínas, achar-se-á um parado, com o cavalo e o cocheiro em ossos, esperando o freguês do costume. A paciência será a mesma de hoje, por mais que chova, a melancolia maior, como quer que brilhe o sol, porque juntará a própria atual à do espectro dos tempos. O arqueólogo dirá coisas raras sobre os três esqueletos. O cabriolet não teve história; deixou apenas a anedota que vou dizer.

— Dois! exclamou o sacristão.

— Sim, senhor, dois; nhã Anunciada e nhô Pedrinho. Coitado de nhô Pedrinho! E nhã Anunciada, coitada! continuou o preto a gemer, andando de um lado para outro, aflito, fora de si.

Alguém que leia isto com a alma turva de dúvidas, é natural que pergunte se o preto sentia deveras, ou se queria picar a curiosidade do coadjutor e do sacristão. Eu estou que tudo se pode combinar neste mundo, como no outro. Creio que ele sentia deveras; não descreio que ansiasse por dizer alguma história terrível. Em todo caso, nem o coadjutor nem o sacristão lhe perguntavam nada.

Não é que o sacristão não fosse curioso. Em verdade, pouco mais era que isso. Trazia a paróquia de cor; sabia os nomes às devotas, a vida delas, a dos maridos e a dos pais, as prendas e os recursos de cada uma, e o que comiam, e o que bebiam, e o que diziam, os vestidos e as virtudes, os dotes das solteiras, o comportamento das casadas, as saudades das viúvas. Pesquisava tudo; nos intervalos ajudava a missa e o resto. Chamava-se João das Mercês, homem quarentão, pouca barba e grisalho, magro e meão.

“Que Pedrinho e que Anunciada serão esses?” dizia consigo, acompanhando o coadjutor.

Embora ardesse por sabê-los, a presença do coadjutor impediria qualquer pergunta. Este ia tão calado e pio, caminhando para a porta da igreja, que era força mostrar o mesmo silêncio e piedade que ele. Assim foram andando. O cabriolet esperava-os; o cocheiro desbarretou-se, os vizinhos e alguns passantes ajoelharam-se, enquanto o padre e o sacristão entravam e o veículo enfiava pela Rua da Misericórdia. O preto desandou o caminho a passo largo.

Que andem burros e pessoas na rua, e as nuvens no céu, se as há, e os pensamentos nas cabeças, se os têm. A do sacristão tinha-os vários e confusos. Não era acerca do Nosso-Pai, embora soubesse adorá-lo, nem da água benta e do hissope que levava; também não era acerca da hora, — oito e quarto da noite, — aliás, o céu estava claro e a lua ia aparecendo. O próprio cabriolet, que era novo na terra, e substituía neste caso a sege, esse mesmo veículo não ocupava o cérebro todo de João das Mercês, a não ser na parte que pegava com nhô Pedrinho e nhã Anunciada.

“Há de ser gente nova, ia pensando o sacristão, mas hóspede em alguma casa, decerto, porque não há casa vazia na praia, e o número é da do Comendador Brito. Parentes, serão? Que parentes, se nunca ouvi...? Amigos, não sei; conhecidos, talvez, simples conhecidos. Mas então mandariam cabriolet? Este mesmo preto é novo na casa; há de ser escravo de um dos moribundos, ou de ambos.”

Era assim que João das Mercês ia cogitando, e não foi por muito tempo. O cabriolet parou à porta de um sobrado, justamente a casa do Comendador Brito, José Martins de Brito. Já havia algumas pessoas embaixo com velas, o padre e o sacristão apearam-se e subiram a escada, acompanhados do comendador. A esposa deste, no patamar, beijou o anel ao padre. Gente grande, crianças, escravos, um burburinho surdo, meia claridade, e os dois moribundos à espera, cada um no seu quarto, ao fundo.

Tudo se passou, como é de uso e regra, em tais ocasiões. Nhô Pedrinho foi absolvido e ungido, nhã Anunciada também, e o coadjutor despediu-se da casa para tornar à matriz com o sacristão. Este não se despediu do comendador sem lhe perguntar ao ouvido se os dois eram parentes seus. Não, não eram parentes, respondeu Brito; eram amigos de um sobrinho que vivia em Campinas; uma história terrível... Os olhos de João das Mercês escutaram arregaladamente estas duas palavras, e disseram, sem falar, que viriam ouvir o resto — talvez naquela mesma noite. Tudo foi rápido, porque o padre descia a escada, era força ir com ele.

Foi tão curta a moda do cabriolet que este provavelmente não levou outro padre a moribundos. Ficou-lhe a anedota, que vou acabar já, tão escassa foi ela, uma anedota de nada. Não importa. Qualquer que fosse o tamanho ou a importância, era sempre uma fatia de vida para o sacristão, que ajudou o padre a guardar o pão sagrado, a despir a sobrepeliz, e a fazer tudo mais, antes de se despedir e sair. Saiu, enfim, a pé, rua acima, praia fora, até parar à porta do comendador.

Em caminho foi evocando toda a vida daquele homem, antes e depois da comenda. Compôs o negócio, que era fornecimento de navios, creio eu, a família, as festas dadas, os cargos paroquiais, comerciais e eleitorais, e daqui aos boatos e anedotas não houve mais que um passo ou dois. A grande memória de João das Mercês guardava todas as coisas, máximas e mínimas, com tal nitidez que pareciam da véspera, e tão completas que nem o próprio objeto delas era capaz de as repetir iguais. Sabia-as como o padre-nosso, isto é, sem pensar nas palavras; ele rezava tal qual comia, mastigando a oração, que lhe saía dos queixos sem sentir. Se a regra mandasse rezar três dúzias de padre-nossos seguidamente, João das Mercês os diria sem contar. Tal era com as vidas alheias; amava sabê-las, pesquisava-as, decorava-as, e nunca mais lhe saíam da memória.

Na paróquia todos lhe queriam bem, porque ele não enredava nem maldizia. Tinha o amor da arte pela arte. Muita vez nem era preciso perguntar nada. José dizia-lhe a vida de Antônio e Antônio a de José. O que ele fazia era ratificar ou retificar um com outro, e os dois com Sancho, Sancho com Martinho, e vice-versa, todos com todos. Assim é que enchia as horas vagas, que eram muitas. Alguma vez, à própria missa, recordava uma anedota da véspera, e, a princípio, pedia perdão a Deus; deixou de lho pedir quando refletiu que não falhava uma só palavra ou gesto do santo sacrifício, tão consubstanciados os trazia em si. A anedota, que então revivia por instantes, era como a andorinha que atravessa uma paisagem. A paisagem fica sendo a mesma, e a água, se há água, murmura o mesmo som. Esta comparação, que era dele, valia mais do que ele pensava, porque a andorinha, ainda voando, faz parte da paisagem, e a anedota fazia nele parte da pessoa; era um dos seus atos de viver.

Quando chegou à casa do comendador, tinha desfiado o rosário da vida deste, e entrou com o pé direito para não sair mal. Não pensou em sair cedo, por mais aflita que fosse a ocasião, e nisto a fortuna o ajudou. Brito estava na sala da frente, em conversa com a mulher, quando lhe vieram dizer que João das Mercês perguntava pelo estado dos moribundos. A esposa retirou-se da sala, o sacristão entrou pedindo desculpas e dizendo que era por pouco tempo; ia passando e lembrara-se de saber se os enfermos tinham ido para o céu, — ou se ainda eram deste mundo. Tudo o que dissesse respeito ao comendador seria ouvido por ele com interesse.

— Não morreram, nem sei se escaparão; quando menos, ela creio que morrerá, concluiu Brito.

— Parecem bem mal.

— Ela, principalmente; também é a que mais padece da febre. A febre os pegou aqui em nossa casa, logo que chegaram de Campinas, há dias.

— Já estavam aqui? perguntou o sacristão, pasmado de o não saber.

— Já; chegaram há quinze dias, — ou quatorze. Vieram com o meu sobrinho Carlos e aqui apanharam a doença...

Brito interrompeu o que ia dizendo; assim pareceu ao sacristão, que pôs no semblante toda a expressão de pessoa que espera o resto. Entretanto, como o outro estivesse a morder os beiços e a olhar para as paredes, não viu o gesto de espera, e ambos se detiveram calados. Brito acabou andando ao longo da sala, enquanto João das Mercês dizia consigo que havia alguma coisa mais que febre. A primeira idéia que lhe acudiu foi se os médicos teriam errado na doença ou no remédio; também pensou que podia ser outro mal escondido, a que deram o nome de febre para encobrir a verdade. Ia acompanhando com os olhos o comendador, enquanto este andava e desandava a sala toda, apagando os passos para não aborrecer mais os que estavam dentro. De lá vinha algum murmúrio de conversação, chamado, recado, porta que se abria ou fechava. Tudo isso era coisa nenhuma para quem tivesse outro cuidado; mas o nosso sacristão já agora não tinha mais que saber o que não sabia. Quando menos, a família dos enfermos, a posição, o atual estado, alguma página da vida deles, tudo era conhecer algo, por mais arredado que fosse da paróquia.

— Ah! exclamou Brito estacando o passo.

Parecia haver nele o desejo impaciente de referir um caso, — a “história terrível”, que anunciara ao sacristão, pouco antes; mas nem este ousava pedi-la nem aquele dizê-la, e o comendador pegou a andar outra vez.

João das Mercês sentou-se. Viu bem que em tal situação cumpria despedir-se com boas palavras de esperança ou de conforto, e voltar no dia seguinte; preferiu sentar-se e aguardar. Não viu na cara do outro nenhum sinal de reprovação do seu gesto; ao contrário, ele parou defronte e suspirou com grande cansaço.

— Triste, sim, triste, concordou João das Mercês. Boas pessoas, não?

— Iam casar.

— Casar? Noivos um do outro?

Brito confirmou de cabeça. A nota era melancólica, mas não havia sinal da história terrível anunciada, e o sacristão esperou por ela. Observou consigo que era a primeira vez que ouvia alguma coisa de gente que absolutamente não conhecia. As caras, vistas há pouco, eram o único sinal dessas pessoas. Nem por isso se sentia menos curioso. Iam casar... Podia ser que a história terrível fosse isso mesmo. Em verdade, atacados de um mal na véspera de um bem, o mal devia ser terrível. Noivos e moribundos...

Vieram trazer recado ao dono da casa; este pediu licença ao sacristão, tão depressa que nem deu tempo a que ele se despedisse e saísse. Correu para dentro, e lá ficou cinqüenta minutos. Ao cabo, chegou à sala um pranto sufocado; logo após, tornou o comendador.

— Que lhe dizia eu, há pouco? Quando menos, ela ia morrer; morreu.

Brito disse isto sem lágrimas e quase sem tristeza. Conhecia a defunta de pouco tempo. As lágrimas, segundo referiu, eram do sobrinho de Campinas e de uma parenta da defunta, que morava em Mata-porcos. Daí a supor que o sobrinho do comendador gostasse da noiva do moribundo foi um instante para o sacristão, mas não se lhe pegou a idéia por muito tempo; não era forçoso, e depois se ele próprio os acompanhara... Talvez fosse padrinho de casamento. Quis saber, e era natural, — o nome da defunta. O dono da casa, — ou por não querer dar-lho, — ou porque outra idéia lhe tomasse agora a cabeça, — não declarou o nome da noiva, nem do noivo. Ambas as causas seriam.

— Iam casar...

— Deus a receberá em sua santa guarda, e a ele também, se vier a expirar, disse o sacristão cheio de melancolia.

E esta palavra bastou a arrancar metade do segredo que parece ansiava por sair da boca do fornecedor de navios. Quando João das Mercês lhe viu a expressão dos olhos, o gesto com que o levou à janela, e o pedido que lhe fez de jurar, — jurou por todas as almas dos seus que ouviria e calaria tudo. Nem era homem de assoalhar as confidências alheias, mormente as de pessoas gradas e honradas, como era o comendador. Ao que este se deu por satisfeito e animado, e então lhe confiou a primeira metade do segredo, a qual era que os dois noivos, criados juntos, vinham casar aqui quando souberam, pela parenta de Mata-porcos, uma notícia abominável...

— E foi...? precipitou-se em dizer João das Mercês, sentindo alguma hesitação no comendador.

— Que eram irmãos.

— Irmãos como? Irmãos de verdade?

— De verdade; irmãos por parte de mãe. O pai é que não era o mesmo. A parenta não lhes disse tudo nem claro, mas jurou que era assim, e eles ficaram fulminados durante um dia ou mais...

João das Mercês não ficou menos espantado que eles; dispôs-se a não sair dali sem saber o resto. Ouviu dez horas, ouviria todas as demais da noite, velaria o cadáver de um ou de ambos, uma vez que pudesse juntar mais esta página às outras da paróquia, embora não fosse da paróquia.

— E vamos, vamos, foi então que a febre os tomou...?

Brito cerrou os dentes para não dizer mais nada. Como, porém, o viessem chamar de dentro, acudiu depressa, e meia hora depois estava de volta, com a nova do segundo passamento. O choro, agora mais fraco, posto que mais esperado, não havendo já de quem o esconder, trouxera a notícia ao sacristão.

— Lá se foi o outro, o irmão, o noivo... Que Deus lhes perdoe! Saiba agora tudo, meu amigo. Saiba que eles se queriam tanto que, alguns dias depois de conhecido o impedimento natural e canônico do consórcio, pegaram de si e, fiados em serem apenas meios irmãos e não irmãos inteiros, meteram-se em um cabriolet e fugiram de casa. Dado logo o alarma, alcançamos pegar o cabriolet em caminho da Cidade Nova, e eles ficaram tão pungidos e vexados da captura que adoeceram de febre e acabam de morrer.

Não se pode escrever o que sentiu o sacristão, ouvindo-lhe este caso. Guardou-o por algum tempo, com dificuldade. Soube os nomes das pessoas pelo obituário dos jornais, e combinou as circunstâncias ouvidas ao comendador com outras. Enfim, sem se ter por indiscreto, espalhou a história, só com esconder os nomes e contá-la a um amigo, que a passou a outro, este a outros, e todos a todos. Fez mais; meteu-se-lhe em cabeça que o cabriolet da fuga podia ser o mesmo dos últimos sacramentos; foi à cocheira, conversou familiarmente com um empregado, e descobriu que sim. Donde veio chamar-se a esta página a “anedota do cabriolet”.

Frei Simão

Por: Cristiana Angelica

Num monastério antigo morria com a idade de 38 anos, mas aparentando 50 anos Frei Simão. Calado e taciturno, ranzinza e solitário morrera de uma doença grave.
Vivera seus últimos 5 anos em completa clausura, apenas saindo dali para se alimentar ou ir ao banheiro.Antes de morrer, o bispo chefe foi ouvir sua confissão e escutou apenas poucas palavras que aterrorizaram: "Morro odiando toda a humanidade! O pobre bispo não sabia o que dizer disto e a dúvida de todos somente foi esclarecida quando achou-se um rolo de papel em que ele narrava suas desventuras.
Pelo rolo soube-se que ele era filho de um casal de comerciantes prósperos e sempre foi temente ao pai.Possuía uma irmã de criação, Helena. Menina linda, meiga e delicada havia ficado órfã muito cedo e foi criada pelo padrinho.Foi bem recebida em casa, alimentada e educada.Tornou-se a irmã do Frei.Mas quando cresceram ambos, se apaixonaram, mas a paixão não foi aceita pelo pai. Ele tinha interesse em casar o filho com uma moça rica, por causa do dote. Escreveu a um sócio, que morava longe e mandou o filho para lá. Só que o filho não sabia que era para separá-los.Os meses se passaram e os amantes começaram a se escrever e declarando seu amor. Não tardou, o pai descobriu e proibiu as cartas.Por fim casou Helena com um agricultor que morava noutro condado e escreveu ao filho dizendo que ela contraíra uma moléstia e morrera.Era para ele voltar.Simão não voltou, entrou para o serviço religioso e tornou-se Frei Simão. Formado, foi convocado pelo bispo a pregar em outro lugar, mas antes passou pela casa do pai para revê-los, já que era caminho. Contou aos pais onde ia e seus pais desesperados não queriam que ele lá fosse.Mas ele foi.
Lá chegando, o povo o aguardava na velha igreja, pois sua fama como orador era muito grande..Começou a pregar.Logo chegou um casal de agricultores e veio sentar-se na frente para entende-lo melhor.O homem prestativo, a mulher de uma melancolia impressionante.De repente um grito é ouvido e a mulher cai desmaiada.O sermão é interrompido, todos observam a cena.O padre reconhece Helena, que não morrera e sim casara com outro, forçada pelo pai.Em choque Helena morre alguns dias depois para desespero de seu marido que a amava muito. Simão enterra-se no convento e não sai mais.Enlouquece.Tempos depois, um velho miserável pede ao abade superior para morrer no convento.Pede perdão ao filho, Simão.A mãe morrera algum tempo antes.
Dizem que o velho também enlouquecera e logo depois morreu.Simão teve o mesmo fim.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A Segunda Vida

Cíntia de Cassia Barone Piano   RA 154161

O conto A Segunda Vida trata-se da história de um certo José Maria que, após sua morte, procura o Monsenhor Caldas alegando ter passado por outras vidas. O Monsenhor percebe que é um maluco e manda um serviçal chamar a polícia. Enquanto isso vai distraindo o visitante. Ele alega que falecera no dia 20 de março de 1860, quando tinha 68 anos. Como era a milésima alma de uma seqüência, foi premiado com o retorno à Terra. Narra sua juventude e sobre um amor de uma mulher, Clemência, o qual se apaixonou e quase pôs fim a sua vida por alguns problemas, mas não o fez e tendo mais tarde um encontro com o Diabo.
São dois contos que exprimem o amor, o desespero em forma de querer acabar com a própria vida, ou seja, Machado nos faz viajar pelos contos e a imaginar estas pessoas, um como um amor arrebatador que acaba por não se concluir, o outro por um homem que ressalta ter morrido e voltado para uma nova vida e que também quase pôs fim a vida, mas que depois defronta com o Diabo pelas coisas que fez. Uma mescla de amor, ódio, religião, ou seja, uma verdadeira telenovela de emoções.

NOITE DE ALMIRANTE E A SEGUNDA VIDA

Cíntia de Cassia Barone Piano   RA 154161

O conto Noite de Almirante conta a história do marinheiro Deolindo, que três meses antes de iniciar uma viagem, conhece a mulata Genoveva; apaixonados ambos fazem um juramento de fidelidade. Ao regressar Deolindo apresenta um semblante de felicidade na expectativa de rever a amada e de ter com ela a “noite de almirante”, ou seja, uma grande noite nos braços de Genoveva. Porém ao chegar à casa de Genoveva, Deolindo, descobre que a moça estava com outro, morando na Praia Formosa. O marinheiro vai até a Praia Formosa e encontra Genoveva, mas esta se mantém indiferente e distante, fala do amor que sentiu por ele, mas diz que seu coração mudara. Triste e cabisbaixo, Deolindo diz à ela que vai se matar, mas Genoveva não acredita em sua ameaça. No dia seguinte, diante dos amigos e colegas marinheiros, Deolindo apresenta-se com ar de satisfação e felicidade, transparecendo que realmente teve uma noite de almirante, optando por aparentar e não permitindo que sua vergonha fosse exposta aos companheiros.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

"Linha Reta e Linha Curva"

Por: Denise Maria de Almeida RA: 153496


Azevedo e Adelaide são recém-casados. Azevedo sempre foi um homem de muita sorte e sempre teve um bom emprego, uma boa família e um bom casamento. Moradores de Petrópolis. Até que Tito, seu parente, vem passar uma temporada em sua casa, este vem a conhecer Emilia, amiga de Adelaide. Tito, solteirão convicto, diz se um homem que não quer compromisso com ninguém e deseja apenas aproveitar a vida, mas o que ninguém sabe é que, antes de tudo, ele e Emilia já haviam tido um romance e Tito à pediu em casamento, porém esta não aceitou e casou com outro, assim, Tito acreditava ser incapaz de amar novamente.  Na casa de Azevedo, Tito se envolve novamente com Emilia, agora viúva, onde começam um jogo de sedução, disputas e afetos, até que enfim, o casal fica junto revivendo este amor de outrora.